quinta-feira, 31 de março de 2011

Conseqüências Morais da Sociedade Moderna

A palvra sempre foi utilizada como uma forma contratual na antigüidade e na idade média. A escrita não era proveniente a todos, então a palavra continha um significado, um peso muito grande.
Com a popularização, melhor, difusão da escrita na sociedade moderna, os acordos passaram a ser elaborados por escrito. Essa difusão da escrita desencadeou dois pontos negativos : a palavra perde seu peso, e a burocracia é criada, não a burocracia de Weber, mas a burocracia que torna possível através de cláusulas contratuais burlar o senso moral de bem, de obediência à justiça e aos outros indivíduos, segundo Hume.
A teoria do senso moral de David Hume é construída a partir do utilitarismo, isto é, me aproximarei do que for útil, e me afastarei do que for inútil. Já Adam Smith diz que o senso moral é construído a partir de empatias, de mérito e desmérito, de linguagem, logo comunicação e expressão dos sentidos/sentimentos. Se um bebê no caso consegue associar suas ações as expressões de seus respectivos pais, já há de certa forma a construção de um senso moral.
Pretendo ir mais além, senso moral é uma construção não apenas de empatia e mérito, resgato aqui um sentido teológico/religioso, e não porque sou cristão, porque de fato não possuo nenhuma religião. Mas o fato principal é o respeito ao ser humano ao próximo.
É claro que podemos relativizar isso e afirmarmos que respeito é algo que varia de acordo com as diferentes culturas e sociedades, mas a bíblia, torá, livro sagrado, ou seja lá qual sinônimo for, consegue desconstruir essa relativização do respeito. Pois se o respeito fosse algo individual, singular, unitário de uma única cultura/sociedade, a bíblia e seus sinônimos, não teriam sido adotado-as por diferentes religiões, fiéis e culturas, tornando-se o livro mais lido do mundo.
Segundo Smith, nosso senso moral se dá a partir de empatias, de sintonias valorativas que nos faz aproximarmos do que nos é comum. E a bíblia nesse caso é um livro cujo qual consegue corresponder as sintonias valorativas de muitas pessoas.
Então se o senso moral é constituído a partir de respeito, poderíamos dizer praticamente que não existe mais senso moral no mundo ?
A questão a ser respondida faz-me pensar na burocracia, não a de Weber, mas a burocracia (a mesma do início do texto) que torna possível a partir de cláusulas contratuais tirar vantagem de pessoas que sejam menos providas de educação/informação.
Gostaria de deixar claro que o fator fundamental para a desigualdade social que temos hoje em dia nossa sociedade, não se deve apenas a esse tipo de burocracia que distorce o senso moral, mas também ao incentivo massivo de caminharmos para uma "sociedade livre", onde cada indivíduo é responsável pelo próprio destino, sucesso. Não vejo onde a igualdade poderia se encaixar no sistema neo-liberal, talvez na igualdade de direitos, mas então quer dizer que se o estado estabelece processos igualitários para todos, podemos deixar então que as pessoas morram de fome ? Porque segundo Adam Smith, isso é uma sociedade livre, cada sujeito constrói seu destino. Mas e onde entra o senso moral aí ?
O fato das pessoas se associarem as religiões por conexões empáticas é válida, mas se na sociedade moderna em que vivemos, os valores contradizem os valores fundamentais religiosos, como que um indivíduo pode adotar valores contraditórios ?
Concluo que o senso moral é transmutável, se adapta aos diferentes tipos de sociedade/cultura/sistema economico. Vivemos em uma sociedade onde o senso moral se mostra utilitarista mas constituído também de conexões empáticas, daí a explicação para os valores contraditórios. O senso moral religioso/teológico fundamentado no respeito é o que falta na sintetização de sensos morais. Com mais respeito, mais igualitária a sociedade tende a ser, pois mais justa e democrática será.

3 comentários:

Gabriel Menezes disse...

O fazer porque deve ser feito.O Fazer assim porque assim é justo e honroso. Fazer assim por um valor moral, quiçá espiritual. Fazer por convicção. Esse fazer se perde em meio ao silêncio das palavras verdadeiras. De valor.

O que emerge constantemente é o "fazer por causa de contrato assinado sob letras interesseiras"

É isso aí cara!

art disse...

A vaidade também é interesse.

art disse...

Quanto à igualdade: nada na natureza é igual. Aliás, igual somente em matemática. Podemos dizer semelhantes, mas iguais nunca. Nem duas arvores, nem duas pessoas. Não podemos violar a natureza. Ela vive da diferença;