quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

MEU CURSO

CONCLUSÃO

Antes de entrar no curso e mesmo após ter ingressado, não tinha total certeza sobre a função que um cientista social de fato desempenha. Uma característica marcante dessas entrevistas (trabalho), é que quando passamos a nos relacionar com pessoas que estão diretamente ligadas ou envolvidas com o mercado, a compreensão/mapeamento (já que se trata de uma profissão recente) das tarefas se torna muito mais dinâmica, porque como são muitos campos de atuação, as entrevistas serviram de certa forma para delimitar os extremos nas áreas das ciências sociais.
Um exemplo que pode ser citado, seria a área de responsabilidade social, que geralmente são setores de grandes empresas que podem ter um trabalho de fato efetivo, calculando o risco de uma construção ou de uma queimada sendo ele tanto ambiental quanto social, ou então um trabalho que pode servir apenas como marketing e publicidade para a empresa ficar com uma boa visibilidade no mercado.
A questão é que para se levantar dados, e conseguir produzir uma certa responsabilidade social com base nessas pesquisas, precisa-se de alguém qualificado, que saiba interpretar os dados e aplicá-los naquela determinada região. No quesito responsabilidade social, não seria nem um administrador nem um marketeiro, mas sim um cientista social que desempenharia essa função.
Cada vez mais, percebo que se trata de uma área que abrange muitas possibilidades, e se especializando é possível construir a própria profissão. Em contraste ao Florestan Fernandes por exemplo, que foi um grande acadêmico e pensador, entrevistei um profissional que se considera um cientista social, e que está atuando e se relacionando diretamente com o mercado.
Ou seja, na mesma profissão, na mesma área de atuação, um sociólogo que produziu teses em defesa dos preconceitos raciais, de índios, que foi fundador de um partido político engajado ideologicamente; e um publicitário que usa ferramentas de antropologia para fazer pesquisas de mercado e assim tornar as propagandas mais eficientes. Enxergo aí dois tipos de sociologia, uma preocupada em renovar o conhecimento, atualizá-lo, produzir mais teorias, mais conhecimento e outra que está preocupada em produzir respostas rápidas, com bases em dados, envolvidas com o urbano, com a prática.
E isso me remete a sociologia da escola de Chicago, que foi desenvolvida exatamente com esse intuito, de gerar soluções para problemas urbanos e sociais, mas com base em dados e estatísticas. No caso do Paulo Maldonado, acho que ele está mais próximo de uma sociologia de Chicago, do que de Florestan Fernandes, porque como trabalha com publicidade, está preocupado em conseguir dados que dizem respeito aos hábitos de consumo, de moradia, os costumes, ao invés de produzir uma tese sobre os tupinambás.
Uma observação é que o Paulo se formou em um momento (1969) o qual o ISEB tinha acabado de fechar (1964) e o IUPERJ estava prestes a ser fundado (1969), e era uma época a qual as ciências sociais, melhor políticas, estavam se institucionalizando no Brasil. E chego a achar engraçado ele se considerar cientista social, ter se formado em um momento de alta produção intelectual, divergência política, onde sociólogos não tentavam buscar soluções práticas para problemas urbanos, mas sim produzir teses que tinham como tema principal (não todas é claro) a desigualdade social/racial nas origens da formação do país. E em meio a isso tudo, ele vira justamente publicitário, que é uma profissão que eu não esperaria encontrar em meio as ciências sociais, porque estimula o consumo, estimula desejos materiais. Por mais que se use a desculpa de que as propagandas feitas por um cientista social conteriam um certo ethos, uma responsabilidade com o consumidor, eu acho que o objetivo é usar as ferramentas para estimular o consumo, e se isso der certo, o publicitário está no caminho certo, mas isso é o que EU acho.
As ferramentas sociológicas são convenientes à sua área de atuação. Não acho que uma sociologia seja mais importante que a outra, mas existem contextos diferentes, épocas diferentes, onde a sociologia estudada e produzida se faz muito importante, pois assim pode solucionar problemas ou produzir dados antes desconhecidos em cima daquele contexto, seja época, lugar etc.
As profissões no campo das ciências sociais podem ser inventadas, e é isso que faz das ciências sociais algo tão fantástico, móvel, diferente. Com as ferramentas certas de pesquisa, os métodos corretos, pode-se produzir dados sobre qualquer coisa. Assim as ciências sociais podem ser usadas tanto para produzir cultura, conhecimento, quanto para levantar dados e produzir campanhas de publicidade mais efetivas. As opções são infinitas, só achar uma área que seja equivalente a sua identidade e com as ferramentas passar a produzir em cima daquilo.

domingo, 28 de novembro de 2010

Sentimento, sensibilidade, são influenciados muito facilmente pelo mundo externo, quando na verdade se trata de uma questão de conexão, e de o quão saudável essa conexão está. Falo isso porque mesmo de ressaca, sem conseguir pensar em nada, sem raciocinar, quando ouço uma música que passa uma mensagem importante eu consigo captar essa mensagem não por meio de raciocínio, mas talvez por meio de sentimento.
Quando a música foi gravada, o artista que a compôs e de fato botou seu coração ali, conseguiu um resultado indiferente, despertar nas pessoas sentimentos em comum por mais que não adotem os mesmos valores e tudo mais.
E se música é composta por essa conexão/percepção, porque os sentimentos também não podem ser ?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Queijo Coalho

Não quero que pensem que vou me referir à economia porque pretendo tratar de um assunto que envolve sentimentos e uma certa dose de percepção; e dinheiro não compra nenhum dos dois.
Quero me referir a uma espécie de valor agregado, por exemplo, um guaraviton pode ter o custo de 3 reais, mas esse valor deixa de ser significativo após cruzar o deserto do saara.
As coisas que nos são prazerosas de certa forma, possuem um valor agregado, tomar um coco na praia vendo o pôr-do-sol carrega esse valor, ou então um queijo coalho, pois nenhum dinheiro no mundo pode comprar o momento de estar tomando um coco ou comendo um queijo coalho em um determinado lugar com determinadas pessoas.
Então esse valor agregado está diretamente ligado com os nossos prazeres particulares que está vinculado com a nossa percepção sentimental, pois gostos mudam e variam de acordo com as pessoas.
Podemos categorizar diversas formas de percepção desse valor, desde algo que envolve o espiritual até um mc donald's depois da praia. Esse valor agregado, que chega a ser um privilégio não escolhe classe social, nem estamento, nem partido, é de todos.